Quando conversamos sobre o Planejamento Estratégico (PE) da empresa precisa estar claro para todos os envolvidos que estamos tratando de um processo de inovação para longo prazo. Logo de partida - para facilitar este processo - é fundamental que seja definido qual será este horizonte cronológico da visão estratégica. Se para uma pessoa a resposta não é fácil (pois é preciso refletir sobre toda a expectativa de sua vida), no caso de uma empresa que pretende se perpetuar, a dificuldade pode ser maior ainda. Na pratica, é usual focalizar na longevidade da atual gestão, pois este direcionamento deverá ser revisado sistematicamente nas gestões futuras.

 

Assim, como você percebe, enxergar longe é o tipo de desafio que exige um extraordinário esforço criativo, que não pode ser negligenciado, no entanto geralmente é subestimado. A dica é simples: Mais importante do que produzir um documento é vivenciar o evento, isto é, se os envolvidos realmente não acreditam no PE, não perca tempo.

Visão empresarial

 

Precisamos de líderes que direcionem o planejamento estratégico, catalizando o consenso de sua comunidade “para onde vamos”. Este desafio inclui a comunicação desta visão, que deve ser simples e entusiasmante. Observe com os exemplos de lideres visionários, tais como Walt Disney, Konosuke Matsushita e Martin Luther King, capazes de influenciar idéias e comportamentos (ler suas bibliografias pode ajudar bastante).

Naturalmente, esta visão empresarial pode e deve ser desdobrada em termos logísticos. O gestor da logística precisa compreender e comunicar o significado da função logística, concebendo com sua equipe um cenário o mais próximo possivel do atendimento perfeito (eficaz e eficiente).

Diagnóstico da logística atual

 

O reconhecimento da situação atual procura responder a questão “onde estamos?”. Para tanto, o clássico método SWOT se destaca, entre inumeras metodologias de diagnóstico, graças a sua simplicidade. A abordagem SWOT busca, de forma prospectiva, identificar os pontos fortes (strengths), fracos (weaknesses), oportunidades (opportunities) e ameaças (threats).

Sempre pragmático, o gestor de logística/SCM, ao diagnosticar a situação atual deve procurar identificar “quem são os envolvidos e quais são as suas legitimas necessidades”. Sugerimos listar as pessoas e funções, tais como acionistas, diretoria, clientes, marketing, vendas, operações, colaboradores, compras, fornecedores e finanças. Em seguida, relacione seus inputs, processos, recursos, insumos, outputs, sistemas (ISO, GMP, SOx, etc..) e controles relevantes, para organizar os suprimentos requeridos.

 

Objetivos logísticos

 

Nos planos estratégicos, aqueles que estabelecem os objetivos empresariais são os principais executivos da empresa. Então, a partir dos objetivos e estratégias mercadológicos, o gestor da logística inicia os desdobramentos em termos de objetivos e estratégias logísticos, isto é, a logística decorre do marketing, que por sua vez decorre da visão empresarial.

Não há muito mistério quanto aos objetivos, mas é interesante relembrar: 

Devem ser poucos (focalizando esforços), relevantes (prioritários), quantificados (mensuráveis), realistas (motivadores) e comunicados.

 

Premissas

 

São regras declaradas que definem aquilo que pode e aquilo que não pode ser feito, limitando as ações estratégicas. Podem ser principios éticos (diferenças entre aquilo que se considera certo ou errado), valores empresariais (crenças sobre prioridades da empresa), políticas administrativas e responsabilidades.

Percebendo a importância destas premissas, muitos gestores da logística têm ultimamente empreendido projetos cujo propósito é formalizar e comunicar estas politicas entre os envolvidos. Naturalmente, esta infra-estrutura organizacional deveria preceder a implementação de qualquer sistema de informações, planejamento e controle, mas você já está imaginando que muitas empresas ainda negligenciam este esforço também.

 

Estratégias logisticas

 

A estratégia define o caminho a trilhar e, tão importante quanto, aquilo que não faremos. Portanto, conceber estratégias logísticas consiste em responder como iremos atender as demandas eleitas como prioritárias para a empresa. O marketing deve definir quais produtos e/ou serviços serão oferecidos. O que entregamos, e de que forma? Qual o preço e, portanto, qual o custo-alvo?

Daí, o gestor da cadeia de abastecimento começa a arquitetura da “geografia logística” ideal, reconhecendo o terreno através do desenho da malha logistica. Como consequência, um posicionamento estratégico começa a ser delineado: Quais nossos pontos de partida, onde atuaremos e quais são os alvos? Onde haverá resistência e onde existem riscos? Onde estaremos instalados e onde alocar os estoques?

 

Plano Diretor de Logística

 

Até aqui relacionamos importantes perguntas-chave, no entanto começamos a identificar a complexidade dos dilemas e decisões inter-relacionadas. Para respondê-las, elaboramos o Plano Diretor de Logistica. Este plano detalha como a estratégia será implementada, isto é, especifica toda a infra-estrutura logistica requerida pelo lado da oferta, para atender o lado da demanda.

Nele dimensionamos os recursos (próprios e/ou terceiros), o modelo de planejamento e controle, as tecnologias empregadas, os meios de comunicação e a arquitetura da informação, dos cadastros e do PDM (Padrão descritivo dos materiais). Em termos dos profissionais, definimos como pretendemos identificar, reter, desenvolver e gerenciar capital humano, pois sabemos que sem pessoas competentes nenhum sistema prosperará.

Depois deste “design logístico”, ocorre o planejamento da implementação, com a elaboração de planos de ação, cronogramas e orçamentos. Em termos da gestão de riscos, é fundamental implementar medidas preventivas e contingenciais, no entanto os detalhes deste assunto serão abordados no décimo capitulo desta série, bem como o tema dos projetos logísticos, no sexto artigo.

Por fim, fechando o processo de gestão logística (que nunca termina, diga-se de passagem), chegamos aos controles. Para assegurar que alcançamos nossas metas de progresso no Plano Diretor de Logística, se fazem necessarios os indicadores gerenciais. Então os selecione com sabedoria, pois você tende a alcançar aquilo que mede.

Através dos indicadores da eficácia logística, podemos acompanhar e corrigir os processos de atendimento (costumer service), e através dos indicadores da eficiência logística, as rotinas operacionais do SCM.

 

Conclusão

 

A síntese da mensagem deste artigo é que o planejamento estratégico é um requisito fundamental para exercer o efetivo gerenciamento da logística, seja local (sua empresa) ou integrado (cadeia de abastecimento).

 

Para tanto, existe muito conteúdo a ser elaborado, e estas definições estão sendo negligenciadas em muitas empresas, portanto concluímos que ainda existe uma distância significativa entre o que praticamos e aquilo que podemos considerar como as melhores práticas no Supply Chain Management. Nossa recomendação é que você aproveite para avaliar a sua empresa nestes termos e refletir sobre como melhorar algo nela.

Sua empresa está desenvolvendo suas estratégias logísticas sem

antes definir em consenso o plano estratégico do negócio?

Cursos recomendados:
Cartilha SCM

SCM decorre do plano estratégico

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