Nos artigos anteriores abordamos a necessidade de muito esforço no gerenciamento da cadeia de suprimentos (SCM) para atender as expectativas e requisitos das demandas, ainda mais quando este esforço envolve uma rede de parceiros.

A questão agora reside em como alinhar a programação dos diversos recursos, quando estes estão a serviço de diferentes empresas? Sabemos que um razoável grau de integração pode ser alcançado por meio de diversas soluções para gerenciamento de conteúdo e troca eletrônica e segura de documentos e outras informações. Soluções tais como internet, telecomunicações e até “conduites”, ou Enterprize Application Integration (EAI) para integração de sistemas de gestão empresarial contribuem bastante na comunicação, no entanto a persistência de rupturas no atendimento e estoques elevados demonstra onde a sincronização ainda é falha e pode – portanto – melhorar.

Percebemos que a tecnologia de informação (TI) aplicada ao SCM esta evoluindo rapidamente, de forma que ainda veremos de camorote muitas inovações e mudanças. Mesmo assim, uma importante lição já aprendida é que o alinhamento de toda a cadeia depende – antes da TI – do amadurecimento de valores, ultrapassando restrições políticas e fazendo a cadeia evoluir através destes estágios:

 

Estágio da coordenação: Quem deseja investir esforços na programação compartilhada enquanto os interesses são conflitantes? Assim, partindo de um relacionamento informal sem qualquer objetivo definido que caracterizou o relacionamento pré-TI, o SCM promove o primeiro salto inovador quando promove alguma cooperação inter-empresarial, firmando acordos estratégicos quanto a objetivos e indicadores comuns. Podemos relacionar contratos de fornecimento e SLA (Service Level Agreement) como instrumentos que identificam este estágio. Diversas empresas que fornecem equipamentos em missão crítica, com contratos de atendimento de peças de reposição servem de exemplo para ilustrar um supply chain bem coordenado.

 

Estágio da colaboração: Neste estágio já verificamos um relacionamento ainda mais maduro, que ultrapassa os contratos, com a capitalização de beneficios mutuos visiveis. Onde já existem vínculos de reciprocidade e comprometimento efetivos, cabe o planejamento colaborativo da demanda e da gestão dos estoques. Os sistemas kanban, milk run e VMI (Vendor Management Inventory) são exemplos destas práticas. Neste sentido, além de muito respeito, paciência e conversas entre as partes, algumas empresas que se relacionam com muitos parceiros contam com modernos Sistemas de Gerenciamento de Relacionamentos, tais como CRM (Customer Relationship Management, orientado aos Clientes), SRM (Supplier, fornecedores), PRM (Partner, parceiros comerciais) e ERM (Employee, empregados) para administar todos os detalhes operacionais destas relações.

Estes sistemas de CRM - por exemplo - podem administrar contatos, automação da força de vendas, captura de pedidos, fulfillment (atendimento), garantias, atendimento no campo e gestão de peças de reposição, logística reversa de produtos e materiais de merchandising e o costumer service.

 

Estágio da sincronização: Finalmente, aqui verificamos uma efetiva integração intima entre os sistemas de informações dos parceiros em tempo real, com uma programação e resposta efetiva, onde o fluxo se torna ágil e enxuto.  O CPFR (Colaborative Planning and Forecasting Replishment) e modernas soluções de EDI são estratégias deste estágio, que é praticado por empresas como Wal Mart e Dell. Podemos esperar mais mudanças conforme a TI evolue, tais como Sistemas de Inteligencia artificial e...

Na retaguarda do SCM

 

Supondo que sua empresa já tenha equacionado as principais variáveis de suas demandas, vejamos quais são as ferramentas para programação da oferta, isto é, da produção e das fontes de abastecimento, e como elas contribuem para o SCM.

  1. Previsão de vendas (forecast): Vários são os métodos para gerar uma previsão de vendas e, depois disto, ajustar os dados em função dos interesses da empresa, que chamamos de gerencimento da demanda, produzindo o plano de vendas por familia, SKU (item) e/ou praça, no horizonte de tempo necessário e suficiente. Planilhas, sistemas ERP e softwares especializados contribuem neste processo, mas dados acurados e senso crítico dos envolvidos são ainda mais criticos ao sucesso. Enquanto algumas empresas preferem estratégias baseadas em responder a demandas efetivas, outras apostam no monitoramento através do Supply Chain Intelligence, baseado em TI avançada, tais como BI/OLAP (Business Inteligence/On Line Analitical Processing).

  2. Gerenciamento de pedidos: Envolve a gestão da carteira de pedidos, com a programação das entregas (aprazamento) e priorização das pendências (back-orders).

  3. Programação: As principais ferramentas para estes processos incluem o algoritmo MRP (Material Requirements Planning), bem como o planejamento dos recursos da manufatura MRP-II (Manufacturing Resources Planning), e os modernos sistemas de Programação avançada de Capacidade finita (APS ou Advanced Planning Systems) {Veja box}.

  4. Gerenciamento do ciclo de vida do produto: Os PLM (Product Life Management) envolve o lançamento de novos produtos, requisição de informações, design (concepção) colaborativo, gerenciamento de portfolio, gerencimento de dados de produtos e descontinuidade de produtos.

  5. Gestão de estoques: Parametrização dinâmica dos estoques, WMS (Warehouse Management Systems) com middleware para controle nos check-points das transações, administração global dos estoques (disponibilidade na malha logística) e gerencimento de inventários.

  6. Aquisição: Entre os sistemas que apoiam as compras encontramos sistemas de importação, mercado eletrônico (marketplaces), desenvolvimento de fornecedores, gerenciamento de contratos, qualificação de fornecedores, gerencimento de desempenho e monitoramento, gerenciamento de custos, gerenciamento de riscos e aquisição consorciada.

  7. Transportes: Os TMS (Transportation Management systems) envolvem o planejamento dos recursos de distribuição, gerenciadores de frotas, fretes, e entregas, otimizadores de carga, roteirizadores, bem como soluções para monitoramento de riscos.

Conclusão

 

Caro leitor, peço-lhe desculpas por tantos acrônimos neste artigo (no total contei vinte siglas diferentes), mas observe que procuramos relacionar todas as categorias de soluções para planejamento no SCM. Também vale a ressalva de que esta relação já pode estar obsoleta no momento em que digito estas últimas palavras, tal é a dinâmica desta especialidade.

Enfim, continue prestigiando estes artigos, pois em seguida abordaremos mais instrumentos da TI, especializados na execução e controle, bem como gerenciamento de projetos, tempo, decisões e riscos no SCM.  

Quem gosta de siglas vai adorar este artigo, pois chegou o momento de relacionarmos as ferramentas para implementar os conceitos que abordamos no planejamento da cadeia de suprimentos.

Cursos recomendados:
Cartilha SCM

Ferramentas de Planejamento

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