Comprar? Produzir internamente? Terceirizar? Investir? Lançar novos produtos? Contratar? Negociar? Mudar? Apostar? Afinal, como tomar decisões na cadeia de abastecimento que se torna a cada dia mais complexa? Bem, o primeiro passo para executar qualquer processo de decisão é identificar as alternativas que temos. Alias, Linus Pauling afirmou que a melhor maneira de termos boas idéias é termos muitas idéias. Portanto, parece que quantas mais alternativas, melhor.

O que não podemos permitir é que se instaure a confusão durante este processo. Vejamos como Benjamin Franklin explicava seu método de trocas compensatórias: “- Faço uma tabela com duas colunas, escrevendo no titulo da coluna esquerda “prós” e na direita “contras”. Então vou anotando os fatos nas colunas correspondentes. Sempre que encontro dois argumentos, um de cada lado, que aparentam ter importância equivalente, eu os elimino. Se me deparo com um motivo a favor, que é equivalente a dois contra, removo os três. Ao termino do processo, fica fácil perceber para que lado pende a balança. Se, passados alguns dias, mais nada de importante me houver ocorrido, executo a decisão. Em síntese, para agilizar a tomada de decisão, primeiro identifique as alternativas dominadoras, eliminando as fracas para simplificar o processo”.

Apezar desta recomendação, é natural que as decisões envolvam alguma ansiedade. Uma das razões das indecisões reside no fato de que toda escolha envolve alguma perda. Chamamos isto de dilema ou trade-off. Ocorre que a liberdade de fazer escolhas implica responsabilidades, e os gestores sabem que responsabilidade é a habilidade de justificar sua escolha - o que implica em riscos de perdas - e perder é sempre doloroso. É por isso que a maioria das pessoas teme decisões.

Podemos identificar um bom trabalhador pelas suas ferramentas. Assim, vale relacionar, entre os métodos simplistas, aquelas técnicas realmente bem básicas para a tomada de decisões, tais como jogar uma moeda; par ou impar; jo-ken-po (pedra, papel, tesoura); você divide, eu escolho; votação; arbitragem; teste com requisitos mínimos; leilões e  o “test-drive” antes da compra. Por outro lado, existem métodos mais elaborados e cientificos, tais como: arvore de decisões; modelagem e analise de sensibilidade; consulta a um especialista; Delphi (junta de diversos especialistas); pesquisa operacional, simulações “what if”, simulação computacional (Monte Carlo) e softwares especializados em processo de tomada de decisão. Escolher a melhor entre estas metodologias é uma arte.

Outro conselho dos especialistas consiste em deixarmos de ser perfeccionistas. Não é possível escolher uma alternativa que não tenha sido objeto de consideração... e independente do número de alternativas que se possua, a escolhida não é, necessariamente, a melhor existente. Portanto, aceite o fato de que a escolha ótima nem sempre é possível.

Neste ponto vale ressaltar o contraste entre decisões inteligentes e suas conseqüências: As decisões devem ser julgadas pela qualidade do processo decisório, e não por suas conseqüências. Apezar de que algumas decisões precipitadas resultarem em bons resultados, se lhe serve de consolo, na maioria das vezes a sorte favorece quem toma a melhor decisão!

Na gestão da cadeia de abastecimento enfrentamos diversas situações em que é muito difícil decidir. De maneira que pode ser realmente muito produtivo desenvolver alguns atalhos para chegar às decisões inteligentes. Assim, surgem as heurísticas, que são estratégias usadas pelo cérebro para queimar etapas, agilizando a tomada de decisões. Observe que os atalhos mentais não significam escolhas precipitadas. Pelo contrário, pois na pratica será impossível avaliarmos todas as implicações envolvidas em um trade-off logístico. Nestes casos a experiência ajuda muito porque nos possibilita interromper buscas quando nos deparamos com algum fato que nos parece relevante a ponto de desbancar todos os demais.

Costumamos afirmar que a inteligência é a capacidade de perceber diferenças. Esta habilidade envolve a percepção de estímulos, a memória, a capacidade de análise e, principalmente, a capacidade de avaliação. Assim, quanto mais variadas as suas experiências, mais você aumenta seu leque de opções e aprimora a capacidade de comparar situações e identificar peculiaridades. Portanto, abuse na leitura de revistas e livros, das viagens, do contato interpessoal e de tudo o que possa trazer informações e novos estimulos.

Considere também que suas decisões nunca serão puramente racionais. Muita gente se engana ao imaginar que a boa decisão é pura questão de raciocínio. Por mais fria que pareça, toda escolha é sempre influenciada pelas emoções. Sabedoria no processo de decisão é combinar, com engenho e arte, a razão com a intuição.

Na pratica, a metodologia de tomada de decisões que habitualmente aplicamos em nossos projetos logísticos envolve sete passos:

 

  1. Enuncie o problema: Descrever corretamente a situação nos leva a compreender os detalhes e refletir sobre as conseqüências.

  2. Defina os objetivos: Saber aonde desejamos chegar direciona a solução, focalizando e alinhando todos os esforços dos envolvidos.

  3. Identifique alternativas: Procure aquilo que o mercado tem para oferecer e inclua os envolvidos, promovendo processo de criatividade e inovação.

  4. Compreenda as conseqüências: Avalie as implicações de suas decisões em relação aos objetivos declarados.

  5. Pondere as trocas: Neste passo procuramos “negociar” os trade-offs, usualmente classificando os parâmetros em obrigatórios e desejáveis, como ilustra a planilha da figura 1.

  6. Analise os riscos: Com a participação dos envolvidos, identifique o que pode ocorrer de errado, avaliando impacto e probabilidade, bem como respostas preventivas e contingenciais.

  7. Confronte os riscos: Avalie os benefícios das alternativas perante sua postura de tolerância aos riscos.

 

Um dos piores hábitos é o de postergar decisões. Decisão tem hora certa, o que alguns especialistas chamam de “timming”. Alguns cuidados são elementares, como evitar decisões quando está muito contente (eufórico) - ou muito triste, cansado ou estressado. Neste caso tendemos a considerar apenas um lado da questão, deixando de avaliar as conseqüências.

No próximo artigo desta série iremos explorar mais os riscos, no entanto o tema está intrinsecamente relacionado com a ponderação das alternativas. Um fato da vida é que não há decisões 100% seguras. Por outro lado, você pode diminuir a incerteza das decisões procurando conhecer ao máximo e ponderar as opções existentes.

Considere que a tolerância ao risco é pessoal, e expressa a disposição que se possui em aceitar riscos para buscar as melhores conseqüências. Ela depende basicamente do significado que tem para você o lado ruim – as conseqüências negativas – comparado com o lado bom, as conseqüências positivas.

 

Conclusão

 

Tenha em mente que você decide o que quer, como quer e quando quer, mas esteja ciente de que a responsabilidade pelos resultados será toda sua.

Não deixe os outros, ou a sorte, ou o tempo decidirem por você....

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