• Daniel Gasnier

Taxonomia - Dividir para conquistar


Conheça técnicas de estratificação para gerir seus estoques de forma mais inteligente e proativa.

As taxonomias são métodos de classificações ou estratificação (separar elementos por critérios de semelhança), tais quais a categorização de Pareto[1], baseados em algum critério considerado relevante pelo gestor ou analista para, então, aplicarmos diferentes regras de gestão dos estoques e suprimentos.

Na abordagem SIO (Service & Inventory Optimization), nós estratificamos os itens em categorias distintas para automatizar quais tratamentos iremos aplicar para cada grupo. O conjunto de regras de negócios que elaboramos utilizará estas classificações como variáveis de entrada (ontologia é outra técnica da SIO, que será abordada em próximo artigo neste blog).

Em nossas taxonomias oferecemos diversos pontos de vista (dimensões) independentes que temos utilizado para atender as necessidades de diversas empresas. Estas classificações poderão ser utilizadas da forma como estão descritas - como referências - ou mesmo serem adaptadas para as circunstâncias específicas que o gestor/analista deseja tratar.

Nota: As classificações acima atendem a maioria das empresas. No entanto, outras classificações poderão ser criadas e utilizados a critério dos analistas/gestores de estoques. Observamos empresas que classificam: (a) Consumo [unidades]; (b) Saldos em estoque [unidades]; (c) Valor imobilizado [R$]; (d) Tipos e padrões de demanda; (e) Tipos de ofertas; (f) Natureza química da SKU; (g) Classe de risco; e (h) Cuidados especiais de movimentação, armazenagem e controle.

Figura 2 – Taxonomias mais empregadas na abordagem SIO.

1) Classificação econômica (ABC): Também conhecida como Curva ABC, esta é a estratificação mais popular e tradicional na gestão de estoques, graças a sua simplicidade e efetividade. Trata-se de um ranking dos valores consumidos, como ilustra a figura 3:

Figura 3 – Exemplo de classificação ABC (percentagens acumuladas).

A classificação ABC resultada de um processamento automatizado e frequente, cujo cálculo consiste em multiplicarmos os consumos anuais médios das SKU [unidades/ano] pelos seus respectivos custos de reposição [R$/unidade]. A partir do ranking destes valores, separamos três categorias por meio de cortes determinados à partir das percentagens acumuladas.

Em termos de interpretação, a classificação ABC apresenta um foco essencialmente econômico, privilegiando o ponto de vista e interesses dos acionistas. Todos os itens são importantes, caso contrário não estariam no cadastro e nos estoques. No entanto, alguns itens são mais relevantes sob o ponto de vista econômico (classe A), do que os demais e, portanto, merecerão tratamentos diferenciados. Desta forma, os itens classe A receberão sistematicamente maior atenção do que os demais, em termos de análises mais detalhadas, menores coberturas, menores lotes de reposição, mais contagens, etc.

2) Classificações de popularidade (PQR): Popularidade é um conceito poderoso e revolucionário, depois que é compreendido e assimilado no vocabulário do analista ou gestor de estoques.

A popularidade expressa a frequência (contagem) de transações envolvendo determinada SKU, observadas no período de um ano (365 dias decorridos).

Observe que a popularidade diz respeito à quantidade de transações efetuadas no período de 365 dias decorridos, independentemente das quantidades [em unidades] envolvidas em cada transação. O tamanho do lote é irrelevante na apuração das popularidades, pois aqui nos interessa o número de apanhes ou viagens (movimentações) envolvidas.

Figura 4 - Curva PQR: Distribuição das popularidades de saídas.

A figura 4 apresenta a distribuição (ranking) das popularidades de saídas [apanhes/ano] dos produtos vendidos por uma empresa. Os cortes indicados são meramente ilustrativos, e nem sempre serão os números aqui apresentados.

O ponto de vista da classificação PQR é operacional. Seu propósito é direcionar a locação dos materiais e ocupação dos depósitos de forma racional e otimizada, minimizando os trajetos (viagens) até os endereços de armazenagem, tanto para estocar quanto apanhar SKUs (pickings).

O critério para elaborar uma curva de distribuição PQR é baseado na quantidade de transações de cada SKU. Usualmente, consideramos a quantidade de transações de saídas (apanhes ou pickings), no entanto também podem ser consideradas as quantidades somadas (isto é, entradas mais saídas), ou mesmo a quantidade de transações de entradas (esta escolha deverá ser definida pelo analista ou gestor dos estoques).

3) Classificação de criticidade (XYZ): Podemos segmentar os itens em estoque baseado no critério de criticidade, agregando mais subsídios para as rotinas de planejamento, reposição e gerenciamento. Nesta classificação, o ponto de vista é a Demanda. Seu propósito é identificar as SKU mais críticas (maiores impactos na ruptura do atendimento), cujas faltas podem, de alguma forma, comprometer o atendimento e até mesmo colocar algum paciente em risco de morte. O critério usual, diferente dos dois métodos anteriores, consiste na avaliação manual (humana), e requer uma avaliação técnica por um profissional da engenharia/manutenção que conheça os impactos da falta do item na rotina da empresa.

4) Classificação de comprabilidade (123): Esta classificação diz respeito ao processo de aquisição dos itens em estoque. O ponto de vista é da obtenção, e o propósito é identificar os itens que envolvem maiores esforços, pois sua reposição complexa requer maior antecipação e precauções. O critério usual desta classificação também requer elaborado julgamento (subjetivo e manual) dos compradores (setor de suprimentos).

5) A classificação de porte (789): Busca otimizar o espaço ocupado. Seu propósito é direcionar a locação dos materiais e ocupação dos depósitos de forma racional e otimizada, respeitando os limites impostos pelos volumes das unidades armazenadas. O critério está baseado no porte dos materiais, em termos de dimensionais ou volumetria (C x L x h), proporcional ao espaço de armazenagem [m3] ocupados.

6) Classificação de pesos (TKG): Nesta classificação o ponto de vista é Peso. Seu propósito é direcionar a locação dos materiais, respeitando os limites impostos pelas resistências das estruturas de armazenagem e sistemas de movimentação e controle de materiais. O critério usual é baseado no peso médio das unidades de manuseio das SKU, incluindo suas respectivas embalagens.

7) Classificação de sensibilidade no manuseio (SXX): Esta classificação tem como ponto de vista o manuseio do item. Seu propósito é comunicar as restrições de manuseio e movimentação, respeitando a fragilidade, sensibilidade e risco intrínseco dos materiais. O critério é baseado na fragilidade, sensibilidade e/ou riscos do material, em suas respectivas embalagens.

8) Classificação de lead time (msdh): Neste caso o ponto de vista é Tempo de reposição. Seu propósito é estratificar os materiais em virtude do tempo de resposta. O critério está baseado na duração do lead time completo, considerando onda longa (prazo pessimista) mais tempo de segurança (proteção pela pontualidade), no seu algarismo mais significativo. Observe que as letras designadas nesta categoria são sempre minúsculas, para diferenciá-las de outras dimensões que utilizam as mesmas letras.

9) Classificação de variações da demanda (n δ): Nesta classificação o ponto de vista reside na incerteza das distribuições estatísticas. Seu propósito é estratificar os materiais em virtude do grau de incerteza da demanda. O critério é uma escala relativa, baseada no grau de variação (sigmas).

Enfim, encerrando este artigo esperamos ter acrescentado alguns insights para que você possa classificar seus materiais e assim melhorar sua gestão de estoques. Ressaltamos que existem inúmeras outras oportunidades para melhorias, tais como a gestão de cadastros (MDM), inventários físicos, ontologias, estatísticas descritivas, movigramas, indicadores de desempenho, técnicas de forecast e dimensionamento de estoques (gatilhos e tamanhos dos lotes).

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Daniel Gasnier, CFO, Jonah, PMP. Engenheiro químico, MBA em Administração, Produção e Finanças. Sócio-diretor do Clube da Entrega e da G4 DANIELGASNIER.COM Consultoria Ltda. Como Gerente de Projetos por 30 anos liderou mais de 200 projetos. Como instrutor lecionou para mais de 30 mil profissionais nas especialidades de Desenvolvimento Organizacional, Supply Chain Management, Gestão de Estoques e Custos. Autor dos livros Dinâmica dos Estoques, Planejamento da Cadeia de Abastecimento, Comunicação Empresarial, Guia Prático de Gerenciamento de Projetos e Manual SIO – Otimização do Atendimento e Estoques.

[1] Nota: O método de Pareto é uma sistemática de priorização por meio da estratificação da população por classes, com o propósito de serem aplicados diferentes tratamentos.

[2] Nota: Cada empresa deve especificar seus próprios critérios dos cortes PQR.

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