• Daniel Gasnier

Aplicando OEE nos Transportes Outbound


Neste post destacamos o indicador de desempenho sobre a Efetividade Global do Equipamento, também conhecido como Overall Equipment Effectiveness (OEE), e que foi desenvolvido no Japão por Seiichi Nakajima, como forma de medição e avaliação da utilização eficiente dos recursos.

Este KPI (Key Performance Indicator) encontra aplicabilidade relevante na gestão de operações logísticas de outbound, principalmente quando os resultados dependem da otimização da produtividade.

Aliás, com a Lei 12.619 de 2012, que regula a jornada de trabalho dos motoristas profissionais de transporte rodoviário de cargas, se tornou mandatório o controle do tempo de direção, entre os quais através de controle eletrônico de ponto.

Nesta figura, extraída de um modulo de nosso software no Clube da Entrega que monitora as atividades dos motoristas de uma operação de entregas de mercadorias em tempo real, a produtividade está sendo monitorada em detalhes através do OEE. Apresentado na forma de um gráfico de barras, o OEE pode ser apurado tanto por recurso como por conjunto de recursos, e decompõe o Tempo Total Disponível no Turno que um recurso dedicado à entrega está alocado no trabalho, digamos 09h00 (A).

Deste tempo (A), é preciso primeiro subtrairmos o tempo dos intervalos e concessões para necessidades humanas, digamos 01h30 (barra em cinza), o que resulta em um tempo programado no turno, neste caso 07h30 (B). A referida Lei 12.619 considera como trabalho efetivo este tempo que o motorista está à disposição do empregador, excluídos os intervalos para refeição, repouso, espera e descanso.

A Lei define “espera” como as horas que excedem à jornada normal, em que o motorista fica aguardando para carga ou descarga no embarcador ou destinatário, não devendo ser computadas como horas extraordinárias, mas devendo ser indenizadas como salário-hora normal acrescido de 30%.

Daí, do tempo (B) acima é preciso subtrair o tempo de setup, carga, descarga e determinação da rota. Para exemplificar, digamos 02h00 (barra em laranja), o que resulta em um tempo programado no turno de 05h30 (C).

Em terceiro lugar, deste tempo (C) ainda é preciso retirar o tempo com as perdas de ritmo, tais como trânsito congestionado, 00h20 no exemplo (barra em amarelo). Neste caso, empregamos serviços de roteirização para definir a referência (baseline), apurando a perda. Isto tudo resulta em um tempo programado no turno de 05h10 (D).

Finalmente, deste tempo (D) é preciso subtrair as perdas com retrabalhos (reentregas, devoluções, etc..), digamos 00h40 (barra em vermelho), o que resultou, neste exemplo, em um tempo de entregas efetivas de 04h30 (E).

Para melhorar a eficiência é preciso primeiro medir a situação atual, visando conhecer como exatamente sua empresa está operando. Daí, é possível traçar ações rumo ao desempenho de categoria mundial. Nas medições em campo, é fundamental que as informações sejam confiáveis. Neste sentido, a automação possibilita medir os tempos dos equipamentos em tempo real. Sensores e softwares de apontamento automático podem ser empregados. Assim, não só os indicadores são apurados, como os motivos das perdas são registrados.

Poucos operadores logísticos e transportadoras estão hoje instrumentalizados em medir e gerenciar os KPIs que estamos relacionando aqui (FedEx, UPS...), pois a apuração destes tempos exige um software de LES (Logistics Execution System) para monitoramento automatizado das atividades dos motoristas, veículos e pedidos, com capacidade de rastrear precisamente e comunicar em tempo real que tipo de atividade está sendo realizada, com reporte on-line para uma torre de controle.

Visualização do Desempenho Operacional

Para gerir efetivamente a produtividade de uma operação de logística outbound em tempo real empregamos seis indicadores de desempenho onde, com os números do exemplo acima, teríamos:

  • Índice de Disponibilidade de 73,3% (C/B);

  • Índice de Desempenho de 93,9% (D/C);

  • Índice de Qualidade de 87,1% (E/D);

  • Índice de Valor Agregado de 50,0% (E/A);

  • Índice OEE de 60,0%, apurado multiplicando Disponibilidade x Desempenho x Qualidade (Nas indústrias, um desempenho de OEE em torno de 85% é considerado ótimo desempenho, no entanto este indicador depende de cada atividade. No caso de transportes, a avaliação da evolução histórica pode ser bem mais relevante para melhoria dos processos);

  • Produtividade média horária, usualmente apurada pela quantidade de pedidos processados (ou de unidades entregues) por hora de tempo total disponível (A).

Naturalmente, no Relatório de Operações da Torre de Controle, outros indicadores gerenciais relevantes complementam o OEE, tais como:

  • OTIF (On Time In Full), que corresponde a proporção percentual de pedidos entregues no local de entrega, na exata quantidade encomendada e no prazo especificado no SLA (Service Level Agreement) acordado para cada pedido. Observe que este registro deve ser realizado in-loco, validado através do GPS ou da foto no local, e não simplesmente pela expedição da mercadoria no embarcador ou no retorno à base da transportadora.

  • Tempo do Ciclo de Pedido, na forma de um histograma apurado hora-a-hora, que mostra o atendimento na perspectiva dos clientes;

  • Tempo do Ciclo de Entrega, na forma de um histograma apurado hora-a-hora, que mostra a atendimento na perspectiva do operador logístico;

  • Status de cada pedido processado, bem como tempo médio por status;

  • Tempo da fila de pedidos ainda por atender, bem como Esforço requerido e disponível para a entrega destes pedidos;

  • Horas extras previstas e já realizadas (limite de 2 horas por motorista);

  • Ocupação da frota, na forma de histograma hora-a-hora;

  • Registro das ocorrências, com log de todas as mensagens.

Para saber mais, Consulte o Cube da Entrega.


ESPECIALISTAS EM OTIMIZAÇÃO
© 2020 www.DanielGasnier.com
São Paulo - Atendemos em todo Brasil.