• Daniel Gasnier

Tecnologia da Web semantica


Neste post veremos que as melhores praticas para catalogação de materiais, conhecida no Brasil como Padrão Descritivo de Materiais (PDM) ou Master Data Management (MDM), vai passar por mudanças drásticas nos próximos anos, graças a tecnologia web 3.0. Você e sua empresa estão preparados?

Para compreender esta revolução precisamos primeiro definir alguns termos. Começaremos pela semântica, que é o estudo do significado, isto é, sinônimo para informação inequívoca. Daí, web semântica é a tecnologia computacional capaz de consolidar e catalogar informações públicas (metadados e conteúdo open source) de forma precisa, padronizada e vinculada à outras informações.

Imagine um formulário, que é um documento contendo informação de forma estruturada. Preenchemos inúmeras informações em formulários na rede mundial, tais como informações pessoais em cadastros de serviços, fotos e receitas, respostas de pesquisas, comentários e preços realizando alguma compra. Com a web semântica podemos associar uma forma padronizada à informação publicada na internet. Esta avançada arquitetura da informação também é conhecida como web 3.0, sendo denominada semântica porque busca atribuir significados (tags ou rótulos, taxonomia e ontologia) aos conteúdos publicados na internet, de modo que sejam compreendidos e explorados por computadores e humanos.

A web das coisas

Semântica tem muito a ver com a sintaxe, ou seja, a forma como você diz ou entende algo. Esta relacionada com o significado das coisas - qualquer coisa - objetos, lugares, pessoas, etc. A web 1.0 é uma rede de documentos, enquanto a web 2.0 é tida como a rede de pessoas (social, ou user generated content). Agora caminhamos para a futura web 3.0, onde alcançaremos a semântica das coisas e como estas coisas estão relacionadas. Imaginamos infinitas possibilidades, como melhores sites achando informações mais relevantes para facilitar nossa vida cotidiana. Hoje mesmo, por exemplo, após adquirir um livro, a livraria lhe recomenda outros livros comprados por clientes com interesses similares ao seu.

Para que a web semântica se concretize, no entanto, será preciso que os dados sejam acompanhados de descrições baseadas nos padrões W3C (www.w3.org). Por meios desta estrutura, os computadores compreenderão o que representa um nome, local ou qualquer outro atributo. Com essa camada será possível a ação de programas (agentes inteligentes) para estabelecer relações, gerar conclusões e executar tarefas.

Daí, chegamos aos metadados, que são campos que descrevem um objeto, uma pessoa ou um serviço. Observe que metadado é um campo, não seu conteúdo. Por exemplo, metadados de formatos de fotos digitais informam data, hora, local e tempo de exposição. Para que os metadados façam parte da web semântica precisam estar visíveis e acessíveis pelos mecanismos de busca.

Como já defini no livro Dinâmica dos Estoques, taxonomia é o processo de agregar, segmentar e categorizar itens segundo algum critério objetivo de similaridade relevante. Conceber esta estrutura implica em se criar uma hierarquia organizacional, do tipo 1 para n, para o universo dos itens (escopo), como na classificação das espécies na biologia, num plano de contas contábil ou num diretório de um sistema operacional de computador. Na logística, por exemplo, os critérios mais frequentemente utilizados segmentam os materiais por aplicação, tecnologia ou origem.

Como podemos montar estas taxonomias? Atualmente utilizamos mapas mentais para administrar taxonomias, no entanto a experiência demonstrou que a frustração será apenas uma questão de tempo, pois qualquer estrutura hierárquica “quebrará” mais cedo ou mais tarde. Como afirmou Clay Shirky, a única pessoa que pode classificar tudo é todo mundo. Então a alternativa reside na folksonomia, uma abordagem de taxonomia mais moderna e aberta, onde os tags - que podem ser diversos - são definidos e eleitos pela comunidade de usuários.

Implementação da Internet das coisas

Em termos de cadastros ainda há muito por ser desenvolvido, no entanto algo já esta se tornando realidade, graças aoGlobal Source One (GS1) e seu sistema Global Data Synchronization Network (GDSN). O GS1, antigo EAN, é a organização mundial responsavel pela padronização dos códigos de barras unidimensionais, que atualmente representa cerca de 5 bilhões de beeps (transações) por dia.

O sistema GDSN visa manter atualizados e acurados todos os dados cadastrais de mercadorias, inclusive preços, entre fabricantes e varejo. Sincronizar dados entre estes players é um grande desafio: Um estudo na inglaterra apurou que 20% dos dados mestre estão desatualizados. Com a tecnologia do GDSN qualquer alteração na especificação de um produto estará atualizada em toda a rede em instantes,

Outro iniciativa pioneira, alheia ao sistema GS1, reside na AGREGAÇÃO de dados mestre através de aplicativos tais como o Delicious Library 2 (www.delicious-monster.com), que ilustra a tendência da catalogação colaborativa, abrangendo livros, filmes, software, videogames, musica, brinquedos e ferramentas, onde os usuários catalogam seus itens incluindo sinopse, detalhes, avaliações, preços e produtos similares.

Aplicativos como estes já estão disponíveis para smartphones, tais como o Redlaser no iPhone, possibilitando que os clientes consultem dados mestre e complementares (opiniões, por exemplo) ainda na loja. Esta tecnologia implica em novos riscos, e é por esta razão que este sistema não é endosado pelo GS1. O sistema global do GS1 assegura que seus dados são fornecidos (publicados) pelos fabricantes dos produtos, sendo - portanto - AUTENTICOS. Os demais dados construídos pelas fontes agregadoras (tais como Google ou Amazon), podem ser classificados como "ALTERNATIVOS" (ou paralelos), pois existe até o risco de que algumas informações sejam plantadas, até mesmo maliciosas.

Enfim, na automação das operações na cadeia de suprimentos, em conjunto com as etiquetas de RFID/EPC, GDSN, scanners, gondolas e balanças inteligentes e os softwares de gestão de depósito, os metadados e a web 3.0 formarão a infraestrutura capaz de puxar a cadeia de suprimentos conforme a demanda, aperfeiçoando a experiência do usuário como apresentada na loja piloto do grupo Metro em Dusseldorf, no norte da Alemanha.

Tudo isto é só uma questão de tempo.

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